Trilha Sonora 04 – Os Intocáveis (The Untouchables, 1987)

Os Intocáveis (The Untouchables, 1987) é não apenas um dos melhores filmes do grande diretor Brian De Palma, como também é um dos melhores longas metragens do gênero máfia/gângster já feitos até hoje (um dos meus gêneros favoritos de cinema).

O filme, que se passa na época da Lei Seca, conta a história do policial Eliot Ness (interpretado por Kevin Costner) e de seus parceiros na sua cruzada para prender o famoso mafioso Al Capone (uma das mais brilhantes interpretações de Robert De Niro em toda sua carreira) e impedir o tráfico de bebidas na Chicago dos anos 30.

Não bastasse a interpretação icônica de Robert De Niro como Al Capone, o filme conta ainda com uma atuação inspirada de Sean Connery como o veterano policial Jim Malone (não à toa, Connery recebeu em 1988 o Oscar de ator coadjuvante). Além de ter várias cenas memoráveis (a cena da escadaria na estação de trem é, talvez, a maior delas), Os Intocáveis teve sua trilha sonora assinada pelo mestre italiano Ennio Morricone, o que torna este filme ainda mais especial.

Abaixo, destaco algumas músicas da fantástica trilha sonora deste filme:

1 – The Strength of The Righteous (Main Title)

2 – End Titles

3 – Al Capone

4 – Death Theme

5 – Ness and His Family

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Música – Macaco Bong

Para quem gosta de rock instrumental e bem tocado, recomendo que ouça Macaco Bong, uma das melhores bandas surgidas no Brasil nos últimos anos. A banda, de Cuiabá e formada em 2004, é um power trio que mistura rock, jazz, fusion, etc. da mais alta qualidade; todos os três músicos – Bruno Kayapy (guitarra), Ynaiã Benthroldo (bateria) e Gabriel Murilo (baixo) – têm técnica musical apurada, muito acima da média. O primeiro disco deles lançado em 2008 (“Artista Igual Pedreiro”) foi considerado o melhor disco daquele ano pela revista Rolling Stone Brasil (premiação muito justa, diga-se de passagem).

Eles acabaram de lançar o segundo disco, “This is Rolê”, que pode ser baixado gratuitamente ou comprado no site http://macacobong.com.br/this-is-role/ e é tão bom quanto o primeiro. O rock nacional, apesar de combalido, ainda não morreu graças a bandas como o Macaco Bong. Gostaria de morar num país em que bandas como essa tivessem mais reconhecimento por parte da mídia em vez das mesmas porcarias e babaquices que tocam sempre nas rádios.
Abaixo, coloco 5 vídeos da banda tocando músicas do seu primeiro disco , 1  vídeo com uma música do novo disco (observação: nos vídeos abaixo, quem toca o baixo é o antigo baixista da banda, Ney Hugo. O novo baixista, Gabriel Murilo, gravou as músicas do segundo cd, “This is Rolê”) e também 1 vídeo da banda falando de sua nova fase com a entrada do baixista Gabriel Murilo.
5 músicas do cd “Artista Igual Pedreiro”
1 – Amendoim
2 – Noise James
3 – Fuck You Lady
4 – Bananas for All
5 – Rancho
1 música do disco “This is Rolê”
Broken Chocobread
Vídeo da banda falando de sua nova fase

Especial Alfred Hitchcock 02 – Festim Diabólico (Rope,1948)

Por Guilherme Vasconcelos

Filmado em dez tomadas de oito minutos cada uma, Festim Diabólico, uma adaptação da peça de Patrick Hamilton, é, talvez, a obra mais inovadora e ousada de Hitchcock. A intenção do diretor, com o objetivo de manter a continuidade da ação dramática, era fazer um filme sem cortes, com um longo plano-sequência. Entretanto, por conta das limitações técnicas da época – um rolo de filme só suportava até 10 minutos de filmagem –, Hitchcock foi obrigado a usar truques para iludir o espectador e fazê-lo acreditar que o desenrolar dos acontecimentos era ininterrupto.

Dessa maneira, antes que o tempo máximo da película fosse atingido, a câmera (bastante pesada e rígida) era imobilizada e fixada, por exemplo, nas costas de um personagem, imagem que será o início da tomada seguinte. E é assim durante todo o filme: onde termina uma tomada, começa a posterior. Uma experiência radical para aqueles tempos, ainda mais se considerarmos que se trata de Hitchcock, cineasta que, entre outros atributos, se notabilizou pelo genial uso da montagem (um dos elementos determinantes da linguagem cinematográfica) como mecanismo fragmentador e, portanto, falseador da realidade.

As sequências do chuveiro em Psicose e a do saco de batatas em Frenesi são dois grandes exemplos de como o diretor empregava a montagem para produzir sentidos através da manipulação das emoções. Festim Diabólico é, nesse sentido, Hitchcock negando a si próprio e a base de seu estilo de filmar: é um filme anti-montagem. Os planos-seqüência (planos mais demorados que capturam as ações de uma sequência inteira sem cortes) que dão forma a Festim Diabólico, todavia, não devem ser encarados como uma tentativa de se aproximar do realismo cinematográfico. O recurso é utilizado nesta película – de maneira pioneira, diga-se de passagem – tão somente para manter a fluidez, a dramaticidade e a crescente tensão da trama. É, mais uma vez, a forma se confundindo com o conteúdo e determinando diretamente a produção de significados.

Gravado inteiramente em estúdio, Festim Diabólico é, em termos de encenação, absolutamente teatral, com posições e movimentos exaustivamente coreografados e previamente estabelecidos. O filme, todo ambientado na cozinha e nas salas de jantar e estar de um apartamento em Nova York, conta-nos a história de dois jovens, Brandon (John Dall) e Philip (Farley Granger), que estrangulam um colega de faculdade e escondem o cadáver em um baú que, em seguida, servirá como mesa em um jantar oferecido por eles. Para celebrar a própria genialidade e confirmar a teoria da existência de seres humanos cultural e intelectualmente superiores que podem e devem aniquilar – com sofisticação artística – os incapazes a fim de solucionar as mazelas da humanidade, eles convidam para a festa a tia, o pai, a ex-noiva e um antigo pretendente da noiva e desafeto do morto. Também marcam presença na festa a senhora Wilson (empregada) e o professor Rupert Cardell (James Stewart), cujos ensinamentos foram equivocadamente interpretados pela dupla de assassinos e serviram como inspiração para o estrangulamento.

O que se segue é, então, uma disputa psicológica e argumentativa entre os personagens, principalmente entre Brandon, que aos poucos vai expondo pistas sutis do crime, e o professor Rupert, homem perspicaz e observador que não tarda a desconfiar do comportamento periclitante de Philip e da excessiva prepotência de seu parceiro. O roteiro, com diálogos inteligentes e dinâmicos e com a insinuação de homossexualismo (um arrojo gigantesco para a época), engrandece ainda mais a obra. Como de costume no cinema hitchcockiano, há sempre sagazes pitadas de humor negro e uma tensão cuidadosamente construída. Apesar de o espectador ser cúmplice dos assassinos – a cena de abertura é justamente o estrangulamento – e a todo o momento ter consciência do que se passa (uma constante nas obras do diretor), sendo, portanto, um observador privilegiado, em nenhum instante o filme deixa de funcionar, seja como um entretenimento ou como um profundo estudo do comportamento humano.

Além da genialidade técnica, Hitchcock tinha uma grande capacidade de prender a atenção, de maneira instigante e original, de quem está do outro lado da tela. Em Festim Diabólico, ele faz isso como ninguém ao deslocar a ansiedade da execução do assassinato – como certamente faria um diretor qualquer – para a possibilidade de sua descoberta, fazendo o espectador temer por isso em determinados momentos. O crime já está previamente dado. Não há mistério. A angústia repousa no se e no como o ato ilícito será desvendado. E é precisamente no como todo esse teatro de suspense psicológico é construído, pelos movimentos de câmera, pela técnica narrativa inovadora, pela cuidadosa ambientação e encenação e pela mínima fragmentação espaço-temporal, que está o (grandioso) valor cinematográfico de Festim Diabólico.

Nota – 9,0

Recomendação – Série de televisão – Mad Men

Mad Men, que já teve cinco temporadas e ano que vem irá para a sua sexta, é, juntamente com Breaking Bad, a melhor série dramática de televisão surgida desde o fim de “The Sopranos” (série que eu considero a melhor já feita até hoje) e que, de certa forma, veio para preencher o vazio deixado na TV por Tony Soprano e companhia.

O seriado – criado por, vejam só, Matthew Weiner, o escritor e produtor de “The Sopranos”- retrata a vida de um publicitário na Nova York do fim dos anos 50 e início dos 60 (os anos vão passando com a medida que o seriado avança: a quinta temporada, por exemplo, se passa nos anos de 1965/1966). Don Draper (interpretado pelo excelente ator Jon Hamm) é o diretor de criação da fictícia agência de publicidade Sterling Cooper (que mais tarde viria se tornar a Sterling Cooper Draper Pryce) e sua função é , basicamente, vender o “american way of life”, a felicidade enlatada nos produtos e estampada nos outdoors. Draper tem, aparentemente, uma vida desejada por muitos: um emprego bem remunerado, uma bela mulher (Betty Draper, que é interpretada pela também excelente atriz January Jones) e dois filhos. Porém, Don Draper, além de ser um homem misterioso (vários detalhes do seu passado são revelados ainda na primeira temporada), não consegue encontrar a felicidade que tanto vende para seus clientes. E, para controlar suas crises pessoais, ele recorre ao cigarro, ao álcool e a outras mulheres sem o menor pudor, mostrando-nos a personalidade de um homem angustiado e infeliz.

Mad Men – um trocadilho entre as palavras ad (propaganda) e mad (maluco), sendo também a forma pela qual eram chamados os publicitários da época – é extremamente competente em retratar o mundo (dentro e fora da agência de publicidade) daquele período: todas as pessoas fumavam e em todos os lugares (no primeiro episódio, a Sterling Cooper é contratada para fazer uma nova campanha para a “Lucky Strike”, famosa marca de cigarros) ; o álcool era ingerido não só nos bares, mas também no trabalho e em casa; as mulheres, apesar de muito glamurosas, eram bastante discriminadas pelos homens,isto é, eram vistas como objetos sexuais e consideradas, portanto, como submissas, sem voz ativa; havia a segregação racial entre brancos e negros (estes só aparecem no seriado em poucas ocasiões e, mesmo assim, geralmente como garçons ou ascensoristas) e o anti-semitismo.

Os homens norte-americanos, vencedores da Segunda Guerra Mundial, são mostrados no seriado como seres confiantes, homens que vieram do conservadorismo dos anos 50 e que não esperam todas as mudanças que, nós sabemos (mas os personagens não), surgirão com a revolução sócio-cultural nos EUA dos anos 60. Várias dessas mudanças são mostradas nas cinco primeiras temporadas, como o fato de uma mulher, mas especificamente a personagem Peggy Olsen (Elisabeth Moss) ,começar a conquistar seu espaço na agência de publicidade como executiva e não mais como secretária ( função normalmente exercida pelas mulheres nesse ambiente). O liberalismo sexual (comum para os homens, mas não para as mulheres da época) também já começa a ser mostrado, assim como o homossexualismo (o personagem Salvatore Romano, responsável por desenhar as campanhas publicitárias, apesar de gostar de outros homens, vive com uma mulher, com o objetivo claro de manter as aparências perante os colegas de trabalho). Algumas figuras importantes da política (a campanha para as eleições presidenciais de 1960 é bem retratada, havendo até um episódio na primeira temporada intitulado “Nixon vs. Kennedy”) e da cultura (em determinado episódio, um personagem cita Bob Dylan) também não foram esquecidas ( há a citação, inclusive, de filmes famosos lançados no período, como “O Homem que Matou o Facínora”, de John Ford, e “Se meu apartamento falasse”, de Billy Wilder). Na temporada mais recente, inclusive, é bem retratado o movimento hippie e toda a revolução cultural do período ( há personagens tomando LSD, menções a Beatles e Rolling Stones, mostra-se o movimento hare krishna em Nova York, etc.)

O elenco de Mad Men conta com – além dos já citados Jon Hamm, January Jones e Elizabeth Moss – John Slattery (interpreta Roger Sterling, um dos sócios da Sterling Cooper e um dos melhores amigos de Don Draper; de longe, o personagem mais engraçado da série), Vincente Karheiser (faz o papel do desprezível Pete Campbell, o mimado, rico,um tanto desleal e ao mesmo tempo interessante colega de Draper na agência, configurando-se como um dos melhores personagens da série) e vários outros atores desconhecidos do grande público e que agora estão recebendo o merecido reconhecimento. É importante destacar a belíssima direção de arte (a reconstituição da época é impecável, tudo é retratado da maneira mais fiel possível: móveis, roupas, carros, prédios, etc) e a fotografia ( o visual é nada menos que deslumbrante). Destaco ainda a abertura do seriado, uma espécie de animação que mostra um executivo em queda livre – uma analogia à infelicidade do protagonista da trama – cercado de prédios, pôsteres e outdoors com propagandas. Essa abertura em muito se assemelha às aberturas criadas pelo designer Saul Bass para os filmes de Hitchcock ( como, por exemplo, “Intriga Internacional e “Psicose) e de outros cineastas ( “Anatomia de um crime”, de Otto Preminger, é outro bom exemplo).

Os diálogos de Mad Men também chamam a atenção, contendo, muitas vezes, uma boa dose de ironia e sarcasmo (Don Draper às vezes me lembra personagens intepretados por Humphrey Bogart, cínicos e sedutores). O único ponto negativo do seriado, e que pode afastar alguns telespectadores, é o fato da história se desenvolver num ritmo um tanto quanto lento (pessoas acostumadas a assistir seriados como “24 horas”, “Lost” e “The Walking Dead” vão estranhar um pouco esse ritmo lento), mas não é nada que diminua o brilhantismo do mesmo e que impeça de acompanhá-lo de modo satisfatório.

Mad Men é , portanto, um seriado inteligente, bem escrito, atuado, dirigido e que só melhora com o passar das temporadas. Não é à toa que ele ganhou três vezes consecutivas (em 2008, 2009 e em 2010) o Globo de Ouro de “melhor série dramática” e Jon Hamm ganhou em 2008 o mesmo prêmio na categoria “melhor ator em série dramática”. Não percam, pois vale muito a pena assistir.

Obs: O seriado é transmitido lá nos EUA pela rede AMC e aqui no Brasil pela HBO. Cada temporada tem 13 episódios.

Coloco abaixo o vídeo da abertura da série:

Momentos Antológicos do Cinema 05 – Pacto de Sangue (Double Indemnity,1944) – I Killed Him

O noir é um gênero que possui várias frases marcantes; frases que revelam a moral distorcida dos policiais, detetives durões, femme fatales e gangsters que habitam os cenários urbanos hostis e escuros, onde pessoas bebem e fumam o tempo todo e trocam ofensas como se tivessem conversando normalmente enquanto tomam o café da manhã.

De todas as frases de todos os filmes noir que eu já assisti até agora (e olhe que não foram poucos), talvez aquela que melhor sintetize todo este fascinante gênero cinematográfico seja a dita pelo personagem Walter Neff (interpretado por Fred MacMurray) em Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944).

Ele, logo no início do filme (a história é narrada em flashback), confessa (diante de um gravador) para seu amigo e chefe Keys (o magnífico Edward G. Robinson) ter matado o marido de Phyllis Dietrichson (umas melhores femme fatales do cinema, interpretada por Barbara Stanwyck) – com a ajuda dela, diga-se de passagem –  em troca do dinheiro do seguro de vida que o marido havia feito com ele (Neff é agente de seguros) e também para poder ficar com Phyllis.

A frase é a seguinte: “Yes, I killed him. I killed him for money – and a woman – and I didn’t get the money and I didn’t get the woman. Pretty, isn’t it?” (“Sim, eu matei ele. Matei ele pelo dinheiro e pela mulher. E eu não fiquei nem com o dinheiro nem com a mulher. Bonito, não?”). Mais noir do que isto, impossível! Na verdade, este é apenas um dos vários momentos antológicos que o filme possui.

Esta verdadeira obra-prima do cinema (um dos meus 20 filmes favoritos) foi dirigida pelo mestre Billy Wilder, sendo que o roteiro do filme (uma adaptação do romance homônimo de James M. Cain) foi escrito pelo próprio Wilder em parceria com ninguém mais ninguém menos que Raymond Chandler (na minha opinião, o melhor escritor noir que já pisou na Terra).

Abaixo, coloco todo o trecho do filme em que a fala citada aparece (a fala só acontece no fim da cena) e também mais algumas linhas do roteiro para quem quiser acompanhar parte do que diz o personagem de Fred MacMurray.

Walter Neff: “Dear Keyes, I suppose you’ll call this a confession when you hear it… Well, I don’t like the word confession, I just want to set you right about something you couldn’t see because it was smack up against your nose. You think you’re such a hot potato as a claims manager; such a wolf on a phony claim… Maybe y’are. But let’s take a look at that Dietrichson claim… accident and double indemnity. You were pretty good in there for awhile Keyes… you said it wasn’t an accident, check. You said it wasn’t suicide, check. You said it was murder… check.”

Walter Neff: “Yes, I killed him. I killed him for money – and a woman – and I didn’t get the money and I didn’t get the woman. Pretty, isn’t it?”

Recomendação – Blu-ray/DVD – Guerreiro (Warrior, 2011)

Para os fãs de Mixed Martial Arts (MMA) ou de filmes de esporte em geral, aí vai uma grande recomendação: Warrior, filme que aqui recebeu o título “Guerreiro” e que, inexplicavelmente, foi lançado ano passado diretamente em blu-ray/dvd no Brasil. Digo “inexplicavelmente” pois trata-se de excelente filme (foi exaltado pela crítica lá fora) e que certamente iria encontrar seu público no Brasil, afinal, os fãs de MMA vêm crescendo cada vez mais no país e, além disso, é um dos melhores filmes dramáticos de 2011.

O filme (dirigido por Gavin O’Connor) é um drama familiar que envolve a participação de dois irmãos em um torneio de MMA com os melhores lutadores do mundo. É quase tão bom quanto “Rocky, Um Lutador”, filme de 1976 com Sylvester Stallone que exalta a superação de um homem no boxe e na vida. Se você gosta de MMA (ou de lutas em geral) ou desse estilo de filme, aí está um prato cheio. Grandes atuações do elenco: Nick Nolte inclusive recebeu indicação ao Oscar de ator coadjuvante por seu papel nesse filme e é também uma oportunidade de ver mais uma ótima interpretação de Tom Hardy, ator inglês que apareceu em “A Origem” e interpretou o vilão Bane em “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”.

Abaixo, coloco o trailer do filme:

Momentos Antológicos do Cinema 04 – Jules e Jim (Jules et Jim, 1962) – Le tourbillon

De todos os momentos antológicos de Jules e Jim (Jules et Jim, 1962), um dos mais importantes filmes da nouvelle vague francesa e de François Truffaut, este é o meu favorito. A cena de Jeanne Moreau cantando “Le tourbillon” é tão bela que nada mais precisa ser dito: basta apenas vê-la e ouvi-la.

Coloco abaixo a letra da música para quem quiser acompanhar:

LE TOURBILLON

Elle avait des bagues a chaque doigt,
Des tas de bracelets autour des poignets
Et puis elle chantait avec une voix,
Qui sitôt m’enjôla.

Elle avait des yeux, des yeux de paille,
Qui me fascinaient, qui me fascinaient.
Y avait l’ovale de son visage pale,
De femme fatale qui me fut fatale.
De femme fatale qui me fut fatale.

On s’est connu, on s’est reconnu,
On s’est perdu de vue, on s’est reperdu de vue,
On s’est retrouve, on s’est rechauffe,
Puis on s’est sépare.

Chacun pour soi est reparti,
Dans le tourbillon de la vie.
Je l’ai revue un soir aie aie aie,
Ça fait déjà un fameux bail.
Ça fait déjà un fameux bail.

Au son des banjos je l’ai reconnu.
Ce curieux sourire qui m’avait tant plu.
Sa voix si fatale, son beau visage pale
M’émurent plus que jamais.

Je me suis saoule en l’écoutant.
L’alcool fait oublier le temps.
Je me suis reveille en sentant
Des baisers sur mon front brûlant.
Des baisers sur mon front brûlant.

On s’est connu, on s’est reconnu,
On s’est perdu de vue, on s’est reperdu de vue,
On s’est retrouve, on s’est rechauffe,
Puis on s’est sépare.

Chacun pour soi est reparti.
Dans le tourbillon de la vie.
Je l’ai revue un soir ah la la
Elle est retombée dans mes bras.
Elle est retombée dans mes bras.

Quand on s’est connu, quand on s’est reconnu,
Pourquoi se perdre de vue, se reperdre de vue?
Quand on s’est retrouve, quand on s’est rechauffe,
Pourquoi se séparer?

Alors tous deux on est reparti
Dans le tourbillon de la vie
On a continue a tourner
Tous les deux enlaces.
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