Crítica – 13 Assassinos

O diretor japonês Takashi Miike é conhecido por ser prolífico (lança uma média de 2 filmes por ano; sua obra já ultrapassa os 80 filmes rodados) e também por utilizar a violência e a brutalidade na maioria dos seus filmes (não à toa muitos o chamam de o Quentin Tarantino japonês; Tarantino, inclusive, já fez uma participação em um dos filmes de Miike, “Sukiyaki Western Django”, lançado em 2007). Em 13 Assassinos (Jusan-nin no Shikaku, 2010), o diretor emprega uma abordagem mais clássica ou sóbria, mas sem, no entanto, deixar de lado o sadismo e a violência típica de seus filmes, o que resulta em um longa-metragem empolgante e que agrada em cheio aos fãs dos chamados “filmes de samurai”. Por isto, se você aprecia “Os Sete Samurais”, “Yojimbo” e “Sanjuro” de Akira Kurosawa ou até mesmo “Kill Bill” de Quentin Tarantino, certamente irá gostar de 13 Assassinos.

O filme (uma refilmagem de um longa dirigido por Eiichi Kudo em 1963) conta a história de um grupo de samurais (liderados pelo carismático Shinzaemon) que são contratados pelo Sir Doi (irmão do shogun) para assassinar o sádico Lorde Naritsugu antes que este possa se tornar um dos conselheiros do shogun. Miike utiliza toda a primeira metade do filme para que o público conheça seus personagens e também para fazer com que o espectador passe a odiar o Lorde Naritsugu (contribui para isto não só os atos de crueldade cometidos pelo Lorde – estupros, massacres e mutilações – e que são mostrados sem nenhuma cerimônia por Miike, como também a ótima interpretação de Gorô Inagaki, que faz seu Naritsugu de maneira contida e fria) e a ter empatia pelos samurais que são reunidos por Shinzaemon.

Cada um dos 13 samurais é mostrado de maneira eficiente, sendo que ganham destaque, além do próprio Shinzaemon (Kôji Yakusho consegue dar a Shinzaemon um ar de inteligência e sabedoria, e estabelecer também uma interessante rivalidade com Hanbei, samurai protetor do Lorde Naritsugu), Shinrouko (o bêbado sobrinho de Shinzaemon e que tem um dos principais arcos dramáticos da trama); Hirayama (é o samurai mais habilidoso do grupo, tendo uma batalha logo no início do filme em que ele liquida rapidamente vários adversários em questão de segundos) e Koyata (personagem mais engraçado do filme; funciona como alívio cômico e lembra um pouco o personagem de Toshirô Mifune no clássico “Os Sete Samurais” de Akira Kurosawa).

Se na primeira metade do filme Miike foca na apresentação e aprofundamento dos seus personagens, a segunda é quase toda focada no combate épico (que dura cerca de 40 minutos!) entre o grupo de Shinzaemon e os samurais comandados por Naritsugu em uma pequena vila (cabe destacar o ótimo design de produção da vila em que esta batalha ocorre, surgindo como uma espécie de labirinto recheado de armadilhas bastante inventivas e surpreendentes). Não é exagero dizer: o final deste filme é uma das melhores cenas de ação dos últimos anos; uma batalha brilhantemente filmada e coreografada por Miike, começando de madrugada e terminando apenas no pôr-do-sol, demostrando claramente o esforço, a honra e o sacrifício daqueles samurais em busca de um ideal maior. Interessante notar que Miike deixa o espectador saber claramente o que acontece em toda a sequência; a mise-èn-scene do combate é mostrada de maneira precisa (quem assiste ao filme sabe onde cada samurai se situa na ação e visualiza cada movimento feito); não há espaço aqui para as câmeras tremidas e para os cortes abruptos tão comuns nos atuais filmes hollywoodianos.

Com 13 Assassinos, Takashi Miike se estabelece como um dos principais diretores do atual cinema oriental (ao lado de nomes como Hayao Miyazaki, Wong-kar Wai e Chan-wook Park; para citar alguns). Pena que muitas vezes opte mais pela quantidade do que qualidade dos seus projetos, pois se tivesse com todos os seus filmes o mesmo cuidado que teve ao fazer este, certamente seria um diretor mais festejado e admirado do que já é e com uma filmografia muito mais interessante.

Nota – 8,5

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