Top 10 – Séries dramáticas da atualidade

Como eu assisto a muito seriados, resolvi fazer um top 10 com aquelas que eu considero as melhores séries dramáticas passando hoje na televisão. Algumas séries como Damages, por exemplo, apesar de terem potencial para integrarem a lista, não entraram  porque acabaram este ano. O meu critério aqui, portanto, foi só escolher as séries dramáticas que estão sendo exibidas atualmente na televisão (não entram, portanto, séries já encerradas, mini-séries e séries de comédia).

Claro que este top 10 não é definitivo, pois, além de outras excelentes séries poderem estrear com o passar o tempo, algumas séries desta lista irão, eventualmente, se encerrar e integrar não mais esta lista, mas sim – e se tiverem qualidade para tanto ao final de todas as temporadas –  uma lista de melhores séries já feitas.

As posições que eu coloquei servem apenas para ilustrar a série como um todo até este momento. Ou seja, algumas séries podem melhorar com o passar do tempo (algo que The Walking Dead está fazendo claramente na sua terceira temporada) ou piorar (Dexter, apesar de ter várias temporadas muitos boas, – principalmente a primeira, a segunda e a quarta – teve, recentemente, duas temporadas bem irregulares e, por isto, quase não entra na lista – sorte dele que a sétima temporada melhorou o nível em comparação com a quinta e a sexta).

Por último, gostaria de destacar que, na minha opinião, neste ano de 2012 só estreou apenas uma série dramática digna de ser vista: Magic City. Diferentemente de 2011, ano que marcou a estreia de quatro excelentes séries: Boss (série política pela qual Kelsey Grammer ganhou o Globo de Ouro de melhor ator em série dramática por sua interpretação como o prefeito de Chicago Thomas Kane), Homeland (série que continua melhorando a cada episódio e que já em sua primeira temporada ganhou o Globo de Ouro de melhor série dramática, além de conter interpretação magistral de Claire Daines como a agente da CIA Carrie Mathison), Game of Thrones (seriado que adapta de maneira bastante satisfatória os ótimos livros de fantasia das Crônicas de Gelo e Fogo do escritor norte-americano George R.R. Martin, talvez o maior expoente da literatura mundial deste gênero literário na atualidade) e The Borgias (série que conta a história da família Borgia – liderada pelo Papa Rodrigo Borgia –  que é considerada a primeira família mafiosa da história).

Coloquei ao lado de cada série o número de temporadas que ela já tem e, em alguns casos, quantas temporadas estão previstas ainda.

10. Dexter  – 7 temporadas – Estão previstas 8 temporadas.

9. Boss – 2 temporadas.

8. The Walking Dead – 3 temporadas.

7. Game of Thrones – 2 temporadas.

6. Fringe – Está na sua quinta e última temporada.

5. Homeland – 2 temporadas.

4. Sons of Anarchy – 5 temporadas.

3. Boardwalk Empire – 3 temporadas.

2. Mad Men – 5 temporadas.

1. Breaking Bad – Está na sua quinta e última temporada cuja segunda parte, com 8 episódios, estreará ano que vem.

Menções honrosas:

– Justified – 3 temporadas.

– The Borgias – 2 temporadas.

– Magic City – 1 temporada.

Advertisements

Recomendação – Série de televisão – Mad Men

Mad Men, que já teve cinco temporadas e ano que vem irá para a sua sexta, é, juntamente com Breaking Bad, a melhor série dramática de televisão surgida desde o fim de “The Sopranos” (série que eu considero a melhor já feita até hoje) e que, de certa forma, veio para preencher o vazio deixado na TV por Tony Soprano e companhia.

O seriado – criado por, vejam só, Matthew Weiner, o escritor e produtor de “The Sopranos”- retrata a vida de um publicitário na Nova York do fim dos anos 50 e início dos 60 (os anos vão passando com a medida que o seriado avança: a quinta temporada, por exemplo, se passa nos anos de 1965/1966). Don Draper (interpretado pelo excelente ator Jon Hamm) é o diretor de criação da fictícia agência de publicidade Sterling Cooper (que mais tarde viria se tornar a Sterling Cooper Draper Pryce) e sua função é , basicamente, vender o “american way of life”, a felicidade enlatada nos produtos e estampada nos outdoors. Draper tem, aparentemente, uma vida desejada por muitos: um emprego bem remunerado, uma bela mulher (Betty Draper, que é interpretada pela também excelente atriz January Jones) e dois filhos. Porém, Don Draper, além de ser um homem misterioso (vários detalhes do seu passado são revelados ainda na primeira temporada), não consegue encontrar a felicidade que tanto vende para seus clientes. E, para controlar suas crises pessoais, ele recorre ao cigarro, ao álcool e a outras mulheres sem o menor pudor, mostrando-nos a personalidade de um homem angustiado e infeliz.

Mad Men – um trocadilho entre as palavras ad (propaganda) e mad (maluco), sendo também a forma pela qual eram chamados os publicitários da época – é extremamente competente em retratar o mundo (dentro e fora da agência de publicidade) daquele período: todas as pessoas fumavam e em todos os lugares (no primeiro episódio, a Sterling Cooper é contratada para fazer uma nova campanha para a “Lucky Strike”, famosa marca de cigarros) ; o álcool era ingerido não só nos bares, mas também no trabalho e em casa; as mulheres, apesar de muito glamurosas, eram bastante discriminadas pelos homens,isto é, eram vistas como objetos sexuais e consideradas, portanto, como submissas, sem voz ativa; havia a segregação racial entre brancos e negros (estes só aparecem no seriado em poucas ocasiões e, mesmo assim, geralmente como garçons ou ascensoristas) e o anti-semitismo.

Os homens norte-americanos, vencedores da Segunda Guerra Mundial, são mostrados no seriado como seres confiantes, homens que vieram do conservadorismo dos anos 50 e que não esperam todas as mudanças que, nós sabemos (mas os personagens não), surgirão com a revolução sócio-cultural nos EUA dos anos 60. Várias dessas mudanças são mostradas nas cinco primeiras temporadas, como o fato de uma mulher, mas especificamente a personagem Peggy Olsen (Elisabeth Moss) ,começar a conquistar seu espaço na agência de publicidade como executiva e não mais como secretária ( função normalmente exercida pelas mulheres nesse ambiente). O liberalismo sexual (comum para os homens, mas não para as mulheres da época) também já começa a ser mostrado, assim como o homossexualismo (o personagem Salvatore Romano, responsável por desenhar as campanhas publicitárias, apesar de gostar de outros homens, vive com uma mulher, com o objetivo claro de manter as aparências perante os colegas de trabalho). Algumas figuras importantes da política (a campanha para as eleições presidenciais de 1960 é bem retratada, havendo até um episódio na primeira temporada intitulado “Nixon vs. Kennedy”) e da cultura (em determinado episódio, um personagem cita Bob Dylan) também não foram esquecidas ( há a citação, inclusive, de filmes famosos lançados no período, como “O Homem que Matou o Facínora”, de John Ford, e “Se meu apartamento falasse”, de Billy Wilder). Na temporada mais recente, inclusive, é bem retratado o movimento hippie e toda a revolução cultural do período ( há personagens tomando LSD, menções a Beatles e Rolling Stones, mostra-se o movimento hare krishna em Nova York, etc.)

O elenco de Mad Men conta com – além dos já citados Jon Hamm, January Jones e Elizabeth Moss – John Slattery (interpreta Roger Sterling, um dos sócios da Sterling Cooper e um dos melhores amigos de Don Draper; de longe, o personagem mais engraçado da série), Vincente Karheiser (faz o papel do desprezível Pete Campbell, o mimado, rico,um tanto desleal e ao mesmo tempo interessante colega de Draper na agência, configurando-se como um dos melhores personagens da série) e vários outros atores desconhecidos do grande público e que agora estão recebendo o merecido reconhecimento. É importante destacar a belíssima direção de arte (a reconstituição da época é impecável, tudo é retratado da maneira mais fiel possível: móveis, roupas, carros, prédios, etc) e a fotografia ( o visual é nada menos que deslumbrante). Destaco ainda a abertura do seriado, uma espécie de animação que mostra um executivo em queda livre – uma analogia à infelicidade do protagonista da trama – cercado de prédios, pôsteres e outdoors com propagandas. Essa abertura em muito se assemelha às aberturas criadas pelo designer Saul Bass para os filmes de Hitchcock ( como, por exemplo, “Intriga Internacional e “Psicose) e de outros cineastas ( “Anatomia de um crime”, de Otto Preminger, é outro bom exemplo).

Os diálogos de Mad Men também chamam a atenção, contendo, muitas vezes, uma boa dose de ironia e sarcasmo (Don Draper às vezes me lembra personagens intepretados por Humphrey Bogart, cínicos e sedutores). O único ponto negativo do seriado, e que pode afastar alguns telespectadores, é o fato da história se desenvolver num ritmo um tanto quanto lento (pessoas acostumadas a assistir seriados como “24 horas”, “Lost” e “The Walking Dead” vão estranhar um pouco esse ritmo lento), mas não é nada que diminua o brilhantismo do mesmo e que impeça de acompanhá-lo de modo satisfatório.

Mad Men é , portanto, um seriado inteligente, bem escrito, atuado, dirigido e que só melhora com o passar das temporadas. Não é à toa que ele ganhou três vezes consecutivas (em 2008, 2009 e em 2010) o Globo de Ouro de “melhor série dramática” e Jon Hamm ganhou em 2008 o mesmo prêmio na categoria “melhor ator em série dramática”. Não percam, pois vale muito a pena assistir.

Obs: O seriado é transmitido lá nos EUA pela rede AMC e aqui no Brasil pela HBO. Cada temporada tem 13 episódios.

Coloco abaixo o vídeo da abertura da série: